O Cinema como veículo de intervenção social:
Sobre o filme Vida (Jiyan) do realizador Curdo jano Rosebiani

Cristina Gomes da Silva - Sociólogap
Festroia – Setúbal, Junho de 2002

Este foi o tema que me foi dado comentar. Não sei se pelo facto do filme denunciar uma situação de Guerra e as guerras serem sempre injustas, ainda que sejam santas. Qualquer Guerra exige uma qualquer intervenção social ou melhor uma intervenção na sociedade que lhe serve de palco.

Não tenhoa certeza se a sociedade retratada por este filme é passível de intervenção. Talvez os palcos, prefíro o plural, em que se desenrolam cenas reais como as que acabámos de ver no filme nem sequer estejam disponíveis para sofrerem algum tipo de intervenção.

Prefíro, então, falar em denúncia de situações dramáticas, mesmo trágicas. A intervenção virá ou não mas sera sempre subsequente.

Como socióloga, e é nessa qualidade que aqui estou, prefíro considerar que o cinema, seja qual for a temática abordada tem sempre un papel interventor nos costumes, nos compartamentos, nas linguagens ou nas opções estéticas. Resta saber se é intervenção social e o que é intervir socialmente. Será isto que estamos aqui a fazer? É que os que aqui estão já tomaran consciência das coisas. Às vezes deixamo-la adormecer, mas não ignoramus. É só um pouco de letargia. A intervenção social tem de ser mais ampla e profunda, caso contrário serão sempre e só alguns os eleitos. Agora, como professora considero que a escola pode ser um bom veículo para as mensagens trazidas pelo cinema e que aí poderão ser formados cidadãos com intervenção na sociedade.

De qualquer modo, gostaria de salientar alguns aspectos/imagens do filme.

HALABJA – 1988 – Cidade Curde bombardeada pelas forças de Saddam Hussein. Cinco mil pessoas mortas, sete mil feridas e desfiguradas.

As primeiras imagens dão-nos conta de mortos de todas as idades surpeendidos nas suas actividades quotidianas. Imagens, sem dúvida, chocantes mas às quais já nos habituámos quando pensamos numa Guerra. No entanto, há uma outra que me prendeu por ser menos óbvia nas imagens de uma Guerra, mas que não deixa de ser muito forte e muito presente, a da solidão:

- primeiro a menina que se balança no baloiço, perdida sabemos lá em que mundos, quando a câmara se aproxima apercebemo-nos de uma cicatriz de queinmadura no rosto. Ela é uma sobrevivente.- o homem que viaja sozinho no jeep enquanto come una maçã.- numa outra cena, outra homem, sozinho em cima de um telhado. Toca flauta. Mais tarde ficamos a saber que diexou de falar quando perdeu toda a familia no bombardeamento

Tantos personagens e tantas solidões, que não seriam solidões se fossem voluntaries.

Não há flores nem vegetação. As armas químicas mataram tudo e não deixam que a vida regresse. Vida, Jiyan, é também o título do filme e o nome da menina do baloiço. Aqui fica a denúncia das consequências da Guerra.

A intervenção afínal fica a cargo de um dos personagens: o homem que viajava sozinho no jeep enquanto comia uma maçã. Ele próprio é outro sobrevivente de uma outra Guerra (bombardeamento de uma escola primária em Queladiza, 1974) e vai a Halabja para construir um orfanato destinado a acolher as crianças que fícaram sem família. Vida sera também o nome do orfanato.

Afínal, “apesar dos pesares” como cantou o Chico Buarque, fíca-nos uma mensagem de esperança no meio de tanto desespero…

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